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sábado, 12 de maio de 2012

Dia das mães, etc.

Bom não seria
Se todos pudéssemos
Cantar alegrias
E declamar alguns versos?
Porém tua ida,
Pra nunca voltar
Saudades me deixa
Por tanto te amar.

Querida mãezinha,
Contudo, te imploro
Da terra pro céu
E de qualquer outro modo
Me ama e não deixa-me mais sucumbir
Nos caminhos da vida que por fim escolhi.

Difícil no entanto tem sido até aqui,
Mas te imploro ainda, me faças sorrir!

Vem a mim na mais bela paisagem
Revela-te a mim como em totalidade
Mostra-te em uma efêmera imagem
Satisfaz, assim, minha intrínseca vontade.

Por enquanto, aqui, nessa vida cruel
Desejo-te entregar o mais airoso apreço
Além do teu mais lindo laurel
O amor infinito que aqui te ofereço.

terça-feira, 3 de abril de 2012

O café já estava esquentado
E a xícara azul preenchida
Quando meu deprimente estado
Lembrou-me de minha ferida

Tua feição em minha mente surgiu
E tuas palavras em meu ouvido soaram
Vontade de ti emergiu
Teus versos então me tomaram

Que pena que estejas tao longe
Onde se quer possa te ver
Mas minha imagem de ti não some
Apesar de não te conhecer

Ah, esses pseudo amores
Que vem, mas logo se vão
Fazendo da vida flores
Que logo a morte verão.

domingo, 11 de março de 2012

Os auros momentos com Alves.

E lá estávamos, sem norte, nem sorte. Éramos engraçados enquanto o prazer do desconhecido um no outro nos tornava interessantes. Gostos similares e discrepantes que tornavam cada um um mundo a ser descoberto. Encarávamos a vida, ignorávamos a morte, esquecíamos o tempo, vivíamos o torpor do momento. Chegamos as fontes, ninguém sabe ao certo como. Molhamo-nos , olhamos o céu, recitamos poesia, rimos ebriamente.
Não é engraçado como nos conhecemos tanto, e tão pouco? Uma noite, em uma vida inteira. Você deve ser uma daquelas pessoas escolhidas por alguma força universal obscura para ser incrível. Ao primeiro relance confesso que houve o medo, de nós. Mas suas excentricidades são capazes de fazer qualquer um esquecer o mundo e só lembrar de você, seu escracho me diverte. És quase um trovador em meio as tuas eternas cantigas de escárnio; Gosto disso.
Foi então que nossos passados se cruzaram, negativamente, e o encanto tornou-se dor, traição. O desejo anterior de descoberta sumiu e trocou-se por mágoa, não em relação a nós mesmos. Quis te amar, te proteger, mas não pude. A dor da sinceridade sempre fez parte de mim. Não sou daqueles que enganam, que brincam ou esquecem que os outros também sentem, ah e como sentem. Creio que nasci com uma alteridade quase cristã que deveria ser perdida, mas não foi.
Culpa chegou, mas também a liberdade de saber que o passado finalmente morria em nós. Não é intrigante que como num primeiro momento ambos matamos o passado um do outro? Mas o encanto das nossas poesias adormeceu-se com a distância que nos separa. Não sei porque estou aqui relembrando disso, de como fomos tão felizes e tão tristes juntos. Talvez a saudade que sinto de conversar com você, ou da sensação de ser como criança em frente ao professor. Teu conhecimento me encanta, tua simplicidade me inspira, tua conversa me entorpece. Creio que tenho saudades enfim...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Andei, e andei somente. Não havia rumo, não havia norte, havia apenas a vontade de me afastar de ti, de nós. A garrafa de conhaque caiu no chão e quebrou-se em pequeninos pedaços, enquanto sentia meus pés descalços pisarem o vidro. Na falta de curativos, ou mesmo vontade de parar pra pensar nisso, tirei a camisa e amarrei a um dos pés, que sangrava muito. Continuei andando, meus novos sapatos decidiriam para onde, e até onde iria.
Comecei a pensar na vida. Comecei a pensar na morte. Nenhuma delas me aprazia. Decidi então só continuar caminhando e esquecer os pensamentos. Lembrei que havia roubado um cigarro seu antes de sair desesperado pela vontade de nunca mais te ver, de não te dar mais o prazer de me vilipendiar, de me distratar da maneira que fazes. 
Procurei por fogo, não achei. Deveria também ter roubado teu isqueiro. Encontrei um parque e meu pé já empapado em sangue me pediu para parar. Estava quase bêbado, mas sóbrio o suficiente para saber que não poderia desamarrar meu pé (tentara fazer isso quando cortei meu dedo no processador de alimentos e acabou por sangrar mais).
De repente o frio começou a me tomar, e eu decidi andar mais alguns quarteirões até encontrar um lugar melhor, e encontrei um bar. Procurei por trocados e decidi quedar-me por lá mesmo. E foi então que  tudo escureceu e me vejo em um hospital. Bog deve saber porque diabos acordei em um hospital, contudo onde acordara ou acordaria não fazia diferença para mim. Meu braço doía, e a glicose entrava como por rasgar as veias, o braço estava roxo, ou verde, aquelas cores de contusões. 
Meu pé havia parado de sangrar, mas meu coração ainda sangrava por dentro. Todo meu corpo doía, da cabeça, graças a ressaca, aos pés, graças ao corte. Pensei então se você se importaria, e esperei que você me procurasse, ao menos para saber se estava bem, mas você não veio. Por um segundo quis que você estivesse em meu lugar. 
Dezenas de milhares de leitos de hospital e nenhum deles te pertencia. Estava deitado com as pernas pra cima, quase sem conseguir me mexer. A sensação era tanta dor e agonia, que no final eu apenas sorri. Sorri porque me coveio, sorri porque me libertei. O que há de melhor para alguém sem esperança que um leito de hospital?
Tive alta e sai a caminhar pela rua. Precisava de um banho, a mistura de suor e exalação de álcool tornara-se insuportável. Procurei meu alce no bolso, tirei-o e comecei a brincar com ele.  A caminhada que começou desnorteada agora queria me levar de volta pra casa, pra minha cama. Infelizmente tenho o desprazer de morar perto de ti e de ter de passar por onde moras para chegar ao meu destino. Com o decorrer do caminho te notei. E lá estavas, sentada no banco, embaixo do jasmineiro fumando teu cigarro. 
Atravessei a rua e encarei o chão para não precisar te olhar. Você gritou meu nome, fingi não ouvir e continuei caminhando. Gritou novamente, e novamente, e novamente, até que parei de caminhar, te encarei e simplesmente acenei negativamente enquanto desviava o olhar. Você não mais brincaria comigo. Você correu e tentou me abraçar, ao que não correspondi, olhou nos meus olhos, e falou que me amava, pediu desculpas, sabe, essas coisas que fazemos por fazer. Desviei novamente o olhar, encarei o chão, soltei um sorriso de canto de boca e falei: "Eu também te amo, só não te quero mais."
Lagrimejaras, creio que nunca havia esperado que um dia eu te me negasse. E inverteu-se então o feitio, o que fui eu hoje és tu, o desprezo que sentia por ti acabava com todo e qualquer resquício do meu amor por ti. "E assim, quando mais tarde me procures, quem sabe a morte? Angústia de quem vive. Quem sabe a solidão? Fim de quem ama. Eu possa dizer de um amor - que tive." 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Quando a ignorância espalha conformidade.

Minha mãe era negra, descendente de peruanos, Mestre em Pedagogia. Ensinou mais de 5000 crianças brasileiras a ler e a escrever. Pais costumavam brigar para terem seus filhos em sua sala de aula, porque sabiam que seus filhos aprenderiam a ler mais rápido e melhor que as outras crianças. Ela veio de uma família pobre, de sete irmãos, e ela foi a única que teve acesso a educação superior. Ela costumava ler pelo menos 10 livros por ano, e às vezes podíamos não ter dinheiro para me comprar roupas novas, ou outras trivialidades, mas ela NUNCA se negou a me comprar um livro que fosse, não importava o quão difícil estivesse a situação, pois ela era professora e aqui no Brasil o trabalho de um professor além de ser desvalorizado é mal remunerado. Quando ela morreu, há sete meses, o Estado e a Universidade Federal do meu estado fizeram uma homenagem a grande mulher, professora e pessoa que ela foi.
Ela pagou por minhas aulas de inglês, espanhol e francês, e sempre me ensinou o qual importante é o estudo na vida de uma pessoa. Quando pessoas fazem afirmações racistas, ou piadas relacionadas a cor de uma pessoa, eu simplesmente não entendo. Minha mãe é a melhor pessoa que eu conheço, e ela era negra. Eu não entendo como as pessoas podem ser tão ignorantes! Acho que esquecemos às vezes que no mundo existe apenas uma raça: a humana.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Lisa

Lisa, Lisa, triste Lisa,
 Não podia evitar em te olhar e ter ver triste, confusa, sozinha. Apesar de te querer sempre por perto, de te querer guardar em um vaso para que ninguém te machuque, não havia nada que pudesse fazer. Ninguém sabe o que passas, o que vês, o que sentes. Só eu o sei, mal e porcamente. 
Você sai do carro, senta no banco da praça, olha o céu com olhos de quem espera a chuva, de quem espera a renovação. Sento-me ao teu lado. 
Todos te vem como a pessoa forte e inabalável, a pessoa inteligente e imbatível, mas eu vejo mais. Eu te vejo com toda a beleza do teu ser, a cotidianidade de teus atos, a simplicidade dos teus anseios, como és. 
Sabes que não sou homem de palavras, e queria te dizer algo que te liberte, que te ampare. No entanto faço o algo mais simples e mais sincero que posso, e te abraço, como por querer proteger-te. Assim que tens que ser, protegida. Não por seres inábil de proteger a si mesma, mas por ser a pessoa especial que és. 
Lisa, Lisa, triste Lisa. Alegra-te e mostra o mundo teu melhor, alegra-te e mostra-te o melhor. O mundo é assim mesmo, desses que cai e reergue. Mas o que me faz vir aqui falar de ti é que amo, te adoro e te quero, feliz, plena. O mundo tem das suas, as coisas são difíceis, mas você há de superar as levezas dessa vida.

domingo, 13 de novembro de 2011

A Beleza do Poeta

Sentei, sozinho e fadigado
Esperando pelo dia em que me notarias
O tempo, esse bendito carrasco
Mostou-me que que isso tu não farias
Desiludido entreguei-me a dor
E a felicidade da vida boêmia
Mas ainda despetalando flor
Para que o "be-me-quer" me queira
Mas a vida, nessa eterna brincadeira
Questão fez de a esperança tirar
E eu aqui jogado na cama
Me encontro em prantos me afogar
Esquecer juro que tentei
Mas que valor tem o esquecimento então?
Se a dor, essa nunca me esquece
E me faz perder a razão
Guardo um amor no peito
E com ele até mesmo cantei
O amor que você desmerece
E pisar questão fez
Não te culpes porém minha amada
Pela dor que me tem causado 
É essa a beleza da vida
Esse tal de aprendizado
Esse é enfim o poeta
O eterno e incrível sofrido
Que a dor transforma em beleza
E a beleza transforma em martírio.